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CAPíTULO 7 - CENTRO ECUMêNICO


Vida Além da Vida

de Clério de Souza Oliveira

 

Capítulo 7  

 

Centro Ecumênico

   

 Quem diria? Adriano dava aula e atendia às consultas no hospital, seu tempo era repleto de produtividade, vivia alegre, uma alegria que nunca havia sentido. Dinheiro era importante, importante para possibilitar crescimento tecnológico, para possibilitar fazer mais, mas agora ele sabia,  não era dele que vinha a alegria e sim do seu próprio envolvimento no serviço aos outros.

Em um certo dia, Berta aproxima-se de Adriano e à queima-roupa lhe diz:

- Quer casar comigo?

- O quê?

- Quer casar comigo?

- Berta, você sabe que eu te amo muito, mas eu não sou mais o homem que você namorava.

- Eu sei, por isso é que eu quero me casar, mais do que queria antes.

- Eu não posso mais te dar filhos.  Nem ser mesmo, fisicamente, um verdadeiro marido.

- Eu não me importo com isso. Eu só quero estar sempre junto com você. Quanto a filhos, você como médico encontrará uma solução.

- Você tem mesmo certeza disso?

- Sim, tenho como nunca tive.

Eles se casaram na pequena capela do hospital.

Ao retornarem da viagem de lua-de-mel, Berta, agora, com uma certeza maior do amor de Adriano reuniu a família na sala da casa do sítio e falou:

- Eu venho a algum tempo reparando nesta família, não falei nada, mas agora que sou membro efetivo dela posso falar.

Paula interfere:

- Que é isso Berta? Você sempre foi membro desta família não é o casamento que te fez assim.

- Tudo bem, mas a realidade é outra. Eu sei que sempre tive o seu amor, eu sei que sempre fomos, desde o início, como verdadeiras irmãs, mas a verdade é que eu não estava legalmente na família. Era você, Adriano, a vó de vocês e eu, uma namorada do seu irmão.  Mas isto não importa mais, agora pertenço também a família e eu posso dar a minha opinião.

Adriano ri e incentiva:

- Então fale minha esposa!

- Todos aqui nos envolvemos demais com o trabalho, passamos a comer e respirar trabalho e estamos nos esquecendo de nós mesmos.

Todos concordam.

- Bem, não podemos continuar assim, senão iremos acabar nos viciando e daqui a pouco estaremos fazendo tudo só por fazer e não porque gostamos.

A avó que estava calada até este momento levanta-se e fala:

- Sim minha filha, é isso mesmo. Lembro o que ocorreu com Isabela, no início era uma pessoa alegre, sempre positiva, mas depois que se associou na loja foi se envolvendo tanto no trabalho, no ganhar dinheiro, que acabou se tomando escrava desta situação, e não adiantava se falar, ela não ouvia.

Berta continua:

- Sim vó! Nós temos que instituir tempos para outras coisas, uma delas é necessária despesa, portanto é necessária a aprovação de todos.

Paula já curiosa incentiva:

- Fale logo!

Berta bebe uma água, respira e fala:

- Precisamos trazer Deus para mais perto de nós. Eu continuo indo ao meu Centro, mas vocês, com exceção de sua avó, que reza muitas vezes no seu quarto, não tem tempo para rezar, então eu pensei em construir um Centro Ecumênico, aonde podemos ter espaço reservado para meditação e outro para transmissão de conhecimentos.

Adriano, para surpresa do todos se interessa:

- O que você está imaginando, Berta? Eu sei que preciso principalmente de conhecimentos, nunca tive qualquer instrução sobre isto, eu via a vó rezando, mas sempre achei que era coisa de pessoa velha. Nunca gostei de fanatismo.

A avó retruca:

- No meu caso não é fanatismo. Eu sou católica, tive uma formação rígida, fui obrigada a estar todo domingo na igreja, usar véu, mas depois que casei não fui mais. Os deveres de cuidar de casa, tudo, inclusive porque eu acredito em reencarnação. A igreja católica, apesar de na Bíblia existir muitas menções sobre reencarnação, não aceita. Eu nunca aceitei aquilo de Céu e Inferno. Pensava se isto fosse verdade, Deus era injusto, pois e aquela criança que nasce com problemas ou em família desorganizada ou mesmo entre bandidos, como ela poderia se tornar uma boa pessoa, cumpridora daqueles todos mandamentos, inclusive os instituídos pela própria igreja. Mas eu nunca compreendi bem outros livros que eu li, inclusive alguns que a Berta me emprestou. Eu gostaria de saber mais.

Paula silencia, abaixa a cabeça reconhecendo que na sua ânsia de fazer alguma coisa de bom havia se esquecido da sua própria família. Lembrava neste momento de um texto de André Luiz, “se Jesus nos recomendou amar os inimigos, imaginemos com que imenso amor nos compete amar aqueles que nos oferecem o coração”, e ela usufruía do amor deles mas não buscou ajudá-los, agora via seu irmão e sua avo sem conhecimentos, conhecimentos que podia dizer que já possuía em parte. Neste momento seu coração se aperta e lembra-se da sua mãe, ela havia partido totalmente despreparada. Levanta a cabeça e diz:

- Vamos Berta coloca sua idéia totalmente, porque eu já estou dando o meu apoio incondicional a ela.

- Bem, eu imaginei um círculo, uma construção baixa somente o andar térreo, no centro uma área circular com um jardim de inverno com bancos e aberto no teto para permitir que pássaros entrem, em volta três grandes ambientes separados por divisões à prova de som. Um dos ambientes seria menor que os outros dois e serviria de sala de entrada, no ambiente à esquerda de quem entra teria poltronas individuais, música ambiente bem baixinha, de modo a servir de sala de meditação e também de leitura, na divisória entre esta sala e a próxima teria uma espécie de closet contendo livros. Vê se vocês conseguem visualizar o que estou dizendo.

Adriano incentiva:

- Continue!

- Perto de cada poltrona, ou na própria poltrona, teria uma luz de leitura. A pessoa que quisesse ler iria até a divisória, abriria uma porta, entraria neste closet, pegaria o livro e retornaria para sala.

A avó pergunta:

- E poderia se levar livros para casa?

- Não, quem quisesse teria que ler ali mesmo.

- E para aqueles que como eu não entendem os livros?

- Para isso tem a outra sala. Nesta outra sala teria mesas circulares e cadeiras, à frente da sala, na parede que dá para o closet, uma cruz iluminada e uma pequena mesa com uma cadeira. Aí haveria sessões em que seria tocada uma fita onde estivesse gravada uma leitura e explicações dela. O tema seria afixado em quadro de avisos na sala de entrada. Toda a pessoa que tem algum preparo, ou mesmo eu, conseguiria lá no meu Centro, gravaria aquelas reuniões que são feitas toda semana e nós teríamos um horário para as pessoas sentarem-se em grupos, ouvirem as explicações gravadas, discutirem o assunto e também tirarem dúvidas com uma determinada pessoa, mais esclarecida, que ficaria na pequena mesa e conduziria a reunião. Mas tudo de forma bem livre, sem constranger ninguém.

Todos ficam empolgados e aplaudem a iniciativa de Berta.

E assim foi feito, foi construído um belo prédio circular, ajardinado em volta e no centro, e todos recebiam a instrução que buscassem.

O local passou a ser freqüentado por várias pessoas que não mais estavam no corpo físico e iam ali ajudar os instrutores a transmitir os conhecimentos.

Isabela ao terminar um bom período de estudos pediu para ir para lá e daí em diante se dedicava a auxiliar tanto no hospital, como na escola, como no Centro Ecumênico.

Paula, Berta, Adriano e a avó estavam sempre participando de mais esta atividade, mas todo domingo se afastavam de tudo dedicando-se somente à família, que com o passar do tempo cresceu, tendo Paula casado com um colega médico e tido três filhos. Berta, mediante inseminação artificial teve uma filha de Adriano que recebeu o nome de Isabela.

   

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